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CHARLES LANDSEER

Exposição Desenhos e Aguarelas de Portugal e do Brasil, 1825-1826

21 de Setembro de 2012 a 27 de Janeiro de 2013

 

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Encerrou a 27 de janeiro de 2013, com 49.305 visitantes 

 

A Fundação D. Luís I, em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais, a Associação Espírito Santo Cultura e o Instituto Moreira Salles, tendo ainda o apoio institucional dos Comissários do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portgal (Dr. António Grassi e Dr. Miguel Horta e Costa) e o patrocínio dos Embaixadores do Brasil e do Reino Unido em Portugal, apresenta a colecção de aguarelas e desenhos de Charles Landseer, conhecida sob a designação de Álbum Highcliffe, que em Portugal (continental e insular) e no Brasil fixou muitos aspectos das regiões que visitou: paisagens, fortificações, raças humanas etc.

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Esse conjunto de desenhos e aguarelas é propriedade do Instituto Moreira Salles. Charles Landseer, natural de Londres (1799-1879), foi um dos sete filhos sobreviventes (três homens e quatro mulheres) do conhecido gravador John Landseer (1769-1852). O artista permaneceu durante três meses em Lisboa e dez meses no Brasil, integrado numa missão diplomática britânica encarregada de negociar o reconhecimento por Portugal do Brasil independente, país onde chegou a bordo do HMS Wellesley. Na viagem de ida o navio zarpou de Inglaterra, passando por Lisboa, Madeira e Tenerife e no regresso, vindo do Rio de Janeiro, fez escala nos Açores e novamente em Lisboa, antes de rumar ao país de origem. Dessa missão partir-se-ia para a ilegalização do tráfico negreiro e para a abolição da escravatura, numa acção em que Inglaterra, Brasil e Portugal mutuamente se empenharam.

 

 

Imagens da exposição no Centro Cultural de Cascais

 

 

11 700x483Aqueduto das águas livres, Lisboa | Lápis e aguarela | 37.8x54 cm | 1825-1826

 

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Corcovado visto da baía de Botafogo, Rio de Janeiro | Aguarela realçada com branco | 27x62.9 cm | 1825-1826

 

CHARLES LANDSEER

Desenhos e aguarelas de Portugal e do Brasil, 1825-1826

 

Charles Landseer (1799-1879) foi o artista oficial da missão diplomática britânica, chefiada por sir Charles Stuart, que partiu de Inglaterra para Lisboa e Rio de Janeiro, em 1825, a fim de negociar o reconhecimento por parte de Portugal do recém-independente Império brasileiro. Após quase dez meses no Brasil, a missão regressou a Inglaterra, em 1826, com escalas em Lisboa e nos Açores.

Durante os três meses que passou em Portugal, Landseer realizou mais de 90 desenhos e aguarelas. O artista interessou-se sobretudo pelo Rio Tejo, pelos mosteiros, igrejas, palácios, castelos de Lisboa e das localidades vizinhas, assim como pelo povo nas ruas lisboetas: marinheiros, barqueiros, camponeses, trabalhadores, mendigos, padres e monges.

Nos cinco meses em que ficou no Rio de Janeiro, Landseer produziu mais de uma centena de desenhos e aguarelas. Nessa cidade, foi a natureza tropical – a baía de Guanabara e as suas ilhas, o Pão de Açúcar e o Corcovado, as praias de Botafogo e Copacabana, a floresta da Tijuca e a Mata Atlântica – o que mais o impressionou, bem como a escravatura urbana – os cativos africanos que trabalhavam como criados domésticos, carregadores e artesãos de todo tipo e constituíam mais de 40% dos habitantes da cidade nessa época.

O tratado em que D. João reconheceu o filho D. Pedro como Imperador do Brasil foi assinado em 29 de Agosto de 1825. Enquanto aguardava notícias sobre a ratificação do tratado por D. João em Lisboa, Stuart visitou outras cidades ao longo da costa do Brasil, a norte e a sul do Rio de Janeiro. Landseer acompanhou Stuart nestas viagens, registando vistas e moradores das cidades por onde passou: Recife e Olinda, Salvador, Vitória, Desterro (atual Florianópolis), Santos e São Paulo. Por fim, na viagem de regresso a Inglaterra, fez ainda vários desenhos dos Açores e da sua população.

Charles Landseer é considerado um dos mais importantes entre os muitos artistas europeus que visitaram o Brasil nas duas décadas posteriores a 1808 – como Nicolas-Antoine Taunay, Jean-Baptiste Debret, Thomas Ender, Johann Moritz Rugendas e o seu companheiro de viagem na missão Stuart, o botânico e artista amador William John Burchell.

Embora jovem e inexperiente (25 anos de idade), Landseer tinha recebido rigorosa formação do pai, o gravador John Landseer, e de professores particulares, além de ter frequentado a Royal Academy of Arts de Londres. Os mais de 300 desenhos (a lápis, tinta e carvão) e aguarelas realizados durante a missão Stuart, guardados num grande caderno de desenhos com capa de couro, são um tributo à seriedade e à diligência com que realizou suas tarefas de artista oficial. Além da qualidade artística das obras, o seu trabalho apresenta enorme interesse iconográfico para historiadores de Portugal e do Brasil no início do século XIX.

De volta à Inglaterra, sir Charles Stuart insistiu em ficar com o caderno de desenhos de Landseer, alegando a sua condição de chefe da missão. O caderno permaneceu na posse da família Stuart, no castelo de Highcliffe, durante quase um século. Foi descoberto em 1924 pelo historiador brasileiro Alberto do Rego Rangel e dois anos depois seria adquirido pelo empresário e colecionador carioca Guilherme Guinle. Antes de morrer, em 1961, este ofereceria o que se tornara conhecido como Álbum Highcliffe ao sobrinho, o banqueiro Cândido Guinle de Paula Machado. Em 29 de abril de 1999, leiloado na casa Christie's, em Londres, o álbum foi arrematado pelo Instituto Moreira Salles.

Esta exposição, que inclui cerca de metade dos desenhos e aguarelas feitos por Charles Landseer em Portugal e no Brasil* em 1825-1826, juntamente com dois de cinco óleos que se sabe que Landseer expôs em Londres nos dois anos após o regresso a Inglaterra, foi mostrada no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro e em Poços de Caldas (Minas Gerais) em 2010 e no Instituto Moreira Salles de S. Paulo em 2011. Chega agora à Fundação D. Luís I/Centro Cultural de Cascais, com a chancela do Ano de Portugal no Brasil e do Brasil em Portugal (2012-13).

 

Leslie Bethell

(Professor Emeritus das Univesidades de Oxford e Londres) 

Curador

 


 

 

Evento musical SOTAQUES no dia 25 de Outubro, no ambito da exposição Charles Landseer - CLIQUE NA IMAGEM

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Concerto Moscow Piano Quartet  no dia 13 de Dezembro, no ambito da exposição Charles Landseer - CLIQUE NA IMAGEM

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Recortes de imprensa da exposição no Centro Cultural de Cascais - Fundação D. Luís I


 

 

Uma Nota...José de Encarnação            Jornal Público

 

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